From Collections to Architectural Museums: Reflections on the Future Museum(s) of Architecture in Portugal #2

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Não há registo de que maquetes ou desenhos de edifícios fossem já itens de coleccionador na Antiguidade. As primeiras representações de arquitectura sobreviventes são na forma de pequenas esculturas. Na Idade Média, criaram-se gabinetes em que os objectos de arte e curiosidades eram preservados; e as representações arquitectónicas eram geralmente de natureza simbólica. Até ao início do século XIV apenas os documentos originais e representações de arquitectura Clássica eram considerados dignos de colecção. Com a imprensa, livros e gravuras desempenharam um papel importante na divulgação e recolha de representações arquitectónicas. Ilustrações e catálogos ajudaram a difundir o conhecimento da arquitectura e serviram como modelos para o ensino até ao final do século XIX, que testemunhou a ascensão da exposição do edifício, com a apresentação de maquetes de grande escala.
As colecções de artefactos arquitectónicos já existem desde a época Barroca, mas só em 1934 foi fundado o primeiro museu dedicado estritamente à arquitectura, o Museu Schusev em Moscovo. No início da década de 1980, com o advento do pós-modernismo, um novo interesse na dimensão estética dos registos arquitectónicos começou a manifestar-se, e os museus de arquitectura começaram a surgir um pouco por toda a Europa. Os museus de arquitectura existem para documentar não só os projectos construídos, mas também as utopias e experiências devem ter o seu lugar lá. As colecções de arquitectura podem invocar e resgatar o que está em perigo de se perder e/ou desenvolver o pensamento crítico.
Através do desejo de permanecer actual e preservar tantos documentos arquitectónicos quanto possível, um grande número de objectos inevitavelmente irão desaparecer. O que é que, então, vale a pena preservar e o que não?
Portugal é um dos raros países da Europa onde não existe um museu nacional para esta disciplina. O que não significa que não se trabalhe nesse projecto, em diferentes lugares e com diferentes ambições. Após a Expo’98 em Lisboa destaca-se um artigo escrito pela arquitecta Ana Tostões intitulado “7 razões para a criação do Museu Português de Arquitectura”. Em 2001 surgiu um estudo prévio para um museu de arquitectura de Lisboa realizado pelos arquitectos Aires Mateus, encomendado pela Câmara Municipal. Em 2004, emergiu a hipótese do Pavilhão de Portugal, desenhado pelo arquitecto Álvaro Siza. Em 2005, o mesmo arquitecto realizou o projecto para a Casa da Arquitectura (CA) em Matosinhos, a convite da autarquia, que aspirava em transformar-se na referência nacional para o sector. Até que em 2009 abriu ao público, na antiga casa de família de Álvaro Siza, onde foi instalado o Centro de Documentação deste arquitecto. Entretanto o projecto inicial das instalações futuras da CA foi posto de parte, estando obras em curso para instalação na antiga fábrica da Real Companhia Vinícola com inauguração prevista para abril de 2017. Outras instituições a destacar são a Fundação Instituto Marques da Silva, criada em 1994 (passou a fundação em 2009), pertencente à Universidade do Porto, que continua a recolher acervos e arquivos de alguns nomes fundamentais da arquitectura na cidade, e o Sistema de Informação para o Património Arquitectónico (SIPA), criado em 1992, com sede no Forte de Sacavém, e que detém o mais extenso arquivo português do sector. Em 2015 surgiu a notícia da criação do MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia em Lisboa, da Fundação EDP, com inauguração prevista para o início de outubro deste ano.
É com expectativa que se enfrenta o futuro da museologia da arquitectura em Portugal, e para o qual esperamos contribuir com este ciclo de conferências, para um maior esclarecimento e debate do estado da arte das colecções e Museus de Arquitectura com algumas das instituições de referência na área e o futuro do(s) futuro(s) Museu(s) de Arquitectura em Portugal. A esta questão junta-se o mediatizado destino tripartido do arquivo de Álvaro Siza, entre a Fundação Calouste Gulbenkian, Serralves e o Canadian Centre for Architecture (CCA).
Qual a experiência e perspectiva daqueles que diariamente lidam e trabalham em Museus de Arquitectura e que aprendizagens podem ser adoptadas no panorama nacional?

ENG//
There is no record that building models or drawings were ever collector’s items in antiquity. The earliest surviving representations of architecture are in the form of small sculptures. In the Middle Ages, were created cabinets in which objects of art and curiosities were preserved; and architectural representations were usually of a symbolic nature. Not until the early 14th century were original documents and depictions of Classical architecture regarded as worthy of collection. With the press, books and engravings played a major role in the dissemination and collection of architecture. Illustrative engravings and catalogues helped to spread a knowledge of architecture and served as models for teaching down to the late 19th century, which witnessed the rise of the building exhibition, where full-scale construction models were presented.
Collections of architectural artefacts have existed since the Baroque age, but only in 1934 was founded the first museum dedicated strictly to architecture, the Schusev Museum in Moscow.
At the beginning of the 1980s, however, with the advent of postmodernism, a new interest in the aesthetic dimension of architectural records began to manifest itself, and the architectural museums began to emerge a bit throughout Europe. Museums of architecture exist to document not only schemes that have been implemented, but also utopias and experiments should also have their place there. Architectural collections can invoke and rescue what is in danger of being lost and/ or develop critical thinking.
Through the wish to remain topical and to preserve as many architectural documents as possible, large numbers of objects inevitably disappear into store. What, then, is worth preserving and what is not?
Portugal is one of the few countries in Europe where there is no national museum for this discipline. This doesn’t mean that work is not being done in this project, in different places and with different ambitions. After Expo ’98 in Lisbon it stands out an article written by the architect Ana Tostões entitled “7 Reasons for creating the Portuguese Architecture Museum”. In 2001, arised a preliminary study for an architectural museum of Lisbon designed by the architects Aires Mateus, commissioned by the City Council. In 2004, emerged the hypothesis of the Portuguese Pavilion, designed by the architect Álvaro Siza. In 2005, the same architect elaborated the project for Casa da Arquitectura (CA) in Matosinhos, invited by the City Council, which aspired to become the national reference for the sector. Until that in 2009 it opened to the public in the former Alvaro Siza’s family home, where was installed the Documentation Centre of this architect. However the initial project of the future facilities of CA was pushed aside, with work in progress for installation in the former factory of Real Companhia Vinícola scheduled to open in April 2017. Other institutions to highlight are the Marques da Silva Foundation Institute, established in 1994 (became Foundation in 2009), appurtenant to the University of Porto, which continues to collect archives and collections of some key names of architecture in the city, and the Architectural Heritage Information System, established in 1992, with headquarters in the Sacavém Fort, and it holds the most extensive Portuguese archive of the sector. In 2015 came up the news of the creation of MAAT – Museum of Art, Architecture and Technology in Lisbon, of the EDP Foundation, scheduled to open in early October this year.
It’s with great expectation that we face the future of architecture’s museology in Portugal, and for which we hope to contribute with this conferences cycle, for further clarification and debate of the state of the art of architectural collections and Museums with some of the leading institutions in the area, and the future of the future Museum(s) of architecture in Portugal. To this issue adds the mediatized tripartite destination of Alvaro Siza’s archive, between the Calouste Gulbenkian Foundation, Serralves and the Canadian Centre for Architecture (CCA).
What is the experience and perspective of those who daily deal and work in architectural Museums and which learning can be adopted on the national scene?

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